Hotel Trombose premiado no IV Concurso Poesia Falada
Opa! Eu de novo. E com novidade boa. Muito boa!
Ontem participei do IV Concurso de Poesia Falada, promovido pelo Espaço Parlapatões.
Como funcionava: você se inscrevia com um poema, aparecia lá, agarrava o microfone e falava (na cara e na coragem) seu texto. Depois era só tomar uma cerveja com os amigos e curtir o fim do nervosismo.
E tinha de tudo lá. Caras mais velhos, caras mais novos, textos raivosos, textos românticos, poemas curtos, poemas longos, engajados, divertidos, letras de músicas. Tudo muito bom. Tudo.
E tinha o meu. Esquisito. O tal do "Hotel Trombose".
Que acabou ganhando. Vixe. Puta alegria. De verdade. Fiquei até com cara de mané. Perdido.
Este vídeo é a minha segunda leitura (o bis), depois que anunciaram os vencedores.
E, sim, eu estava nervoso pra cacete.
Ah! Os escritores e amigos Jorge Ribeiro e Pilar Bu também estavam lá! E mandaram muito bem!
Ficou difícil de entender? Segura aí o texto:
Hotel Trombose
Tem puta.
Cafetão. Leitinho quente.
Tem sacanagem a cabo.
Gemido de filme. Fita cacete.
Tem velho com criança pequena.
Que baba de dor. De medo. De tesão.
Tem gente levando por fora.
Por trás. Por onde. Porque?
Tem pedido pra tomar esporro do céu.
Da boca.
Tem documento 3x4.
Amassado na cara.
Tem mão fora de hora.
Na garagem. Na escada. Na boa.
Tem um suco preto do dia.
Na parede do doido.
Tem crime hediondo.
Sem culpa. Calado.
Tem um coágulo que treme vermelho.
Grosso. Salgado.
E tem hotel.
E tem trombose.
E tem reserva.
E tem um nome.
Riscado. Com sangue.
O seu.
